.: Instituto de Ciências Biológicas :.

A década de 1970

 

A Década de 70

 

A década de 1970 pode ser considerada a fase de ouro da biologia na UnB. Algumas tentativas de fixação de grupos de vanguarda na época não se concretizaram. A de maior destaque seria a vinda de um grupo de bioquímicos e farmacologistas da Escola Paulista de Medicina liderados pelos professores Leal do Prado e José Ribeiro do Vale.

Em 1970, fazendo parte do processo de recuperação da UnB por iniciativa do professor Amadeu Cury e do então presidente do CNPq, professor Antônio Couceiro, foi organizado um curso internacional de protozoologia. O curso, com duração de quatro semanas, trouxe a Brasília um grupo de pesquisadores americanos: professores Seymour H. Hutner, Herman Baker, Harold Finley, Cyrus Bacchi e Katlen O'Connel, que ministraram o curso em parceria com os seguintes professores brasileiros: Isaac Roitman (UFRJ), Firmino Torres de Castro (UFRJ), Zigman Brener (UFMG/ Fiocruz), Maria Deane (LISP), Leônidas Deane (USP), José Ferreira Fernandes (USP), Gilberto de Freitas (que se transferiu mais tarde do IB para a Faculdade de Ciências da Saúde, onde se aposentou). Este curso, ministrado para jovens pesquisadores de várias universidades brasileiros, exigiu a construção emergencial de um laboratório que até hoje é utilizado para aulas práticas no IB.

Em pleno regime militar, a administração da UnB vivia um momento de autoritarismo. Os professores críticos não eram bem vistos pela administração superior. A maior vítima desse clima foi o professor Luiz Fernando Gouveia Labouriau. Graças a pressões, ele e sua esposa, professora Maria Léa Salgado-Labouriau, foram obrigados a se afastar da UnB e do Brasil. Após um longo período de exílio voluntário na Venezuela (Instituto Venezuelano de Investigaciones Científicas - IVIC), o casal retorna na década de 1980 à UnB, por iniciativa do então ministro de Ciência e Tecnologia Renato Archer e do reitor Cristovam Buarque. O clima de insatisfação resultou posteriormente na perda de lideranças, tais como: professor Henrique Krieger com quase todo o grupo, professor Wlademir Lobato Paraense, professor Carlos M. Morel, professor Eugen S. Gander.

A comunidade acadêmica do IB, provavelmente como reação ao autoritarismo, permanecia muito unida. Todas as sextas-feiras à tarde um grupo bastante representativo das lideranças da biologia reunia-se no Laboratório de Microbiologia. Essas reuniões regadas a cachaça eram encontros descontraídos, em que o arsenal de piadas era alimentado. Alguns dirigentes desconfiavam que essas reuniões de descontração eram subversivas, presunção esta que podia ser considerada uma piada. Esse mesmo grupo, sentindo o fator negativo do isolamento geográfico da UnB e se contrapondo à morosidade administrativa da Universidade, criou um consórcio no qual cada membro fazia uma contribuição mensal para que fossem convidados colegas de São Paulo ou Rio de Janeiro ou colegas estrangeiros que passavam por essas cidades para contatos e seminários. Os membros do consórcio faziam a indicação dos convidados e as decisões eram feitas em minutos ou poucas horas. Esse consórcio durou três anos e foi denominado de "Fraternidade dos Sete P" (pobre pesquisador paga passagem para pesquisador paupérrimo). Ao final do ano, com o sobra de caixa, era sorteada uma passagem aérea Brasilia-Rio de Janeiro-Brasilia, para que os pesquisadores do IB pudessem repor o iodo, elemento raro na atmosfera do planalto central. Nunca me esqueci da expressão sorridente da professora Heloísa Magalhães Castro quando foi contemplada com o prêmio.

Ainda na década de 1970 foi implantado um Laborat6rio de Ecologia dentro do Departamento de Biologia Vegetal, que posteriormente foi transformado no Departamento de Ecologia e que serviu de alicerce para a criação do Mestrado em Ecologia no ano de 1976. Para organizar o grupo, foi convidado um pesquisador da Escócia, David Ross Gifford, que costumava atender alunos e professores em um gabinete improvisado que montava todos os finais de tarde no bar apelidado "Gilberto Salaminho", localizado na quadra comercial 405-406 Norte, em frente à antiga SAB.

Uma outra personalidade estrangeira que pelo seu convívio influenciou a comunidade dos biológos da UnB foi o professor Philip Marsden, pesquisador da London School of Hygiene and Tropical Medicine, que, após uma passagem pela Bahia, se radicou em Brasília na década de 1970, construindo com os professores Aluizio Prata e Vanize Macedo um dos principais centros de forrnação de recursos humanos e pesquisas em medicina tropical do Brasil. Antes de se transferir para o Núcleo de Medicina Tropical, o professor Marsden trabalhou no Laboratório de Microbiologia com vetores da doença de Chagas (barbeiros), juntamente com o professor Nelson Alvarenga. O professor Marsden é considerado um dos grandes parasitologistas deste século, tendo falecido em Brasília em 1997.

A biologia nessa época contou com a atividade de um grande número de professores que permaneceu por períodos variáveis na Universidade, entre eles: José Maria de Almeida Junior (Ecologia Humana), Agenor Melo (Fisiologia), Santa Rosa (Histologia), Alena Novakova (Fisiologia), Manoel Banet (Fisiologia), Domiciano Dias (Zoologia), Renato Balão Cordeiro (Farmacologia), Kiniti Kitayama (Zoologia), Braúlio Ferreira de Souza Dias (Ecologia).

Os grupos de Fitopatologia e de Ecologia consolidaram-se, permitindo a implantação do Mestrado em Fitopatologia e do Mestrado em Ecologia no ano de 1976.

É importante ressaltar que nessa época o nível dos cursos de graduação ministrados no IB eram reconhecidos como de elevado padrão pela comunidade acadêmica brasileira.

 

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