.: Instituto de Ciências Biológicas :.

O início da década de 1970: a renascença

 

O Início da Década de 1970: a Renascença

 

O Instituto de Ciências Biológicas (IB) no início da década de 1970 era constituído de quatro Departamentos. O primeiro era o Departamento de Psicologia, que no final da década de 1980 foi transformado em Instituto de Psicologia. A principal ligação desse departamento com as áreas da biologia era realizada pelo grupo de psicologia experimental liderado pelo professor João Claudio Todorov, que se tornou mais tarde decano de Pesquisa e Pós-Graduação, vice-reitor e posteriormente reitor da universidade.

Os outros três departamentos, Biologia Celular, Biologia Animal e Biologia Vegetal, foram criados por se contar no quadro do IB com lideranças capazes de servir como referência para esses Departamentos. O Departamento de Biologia Celular era chefiado pelo professor Manuel Mateus Ventura, expoente no campo da físico-química. O Departamento de Biologia Animal era chefiado pelo professor Wlademir Lobato Paraense, liderança na área de Malacologia e que até recentemente (início de 2012)  trabalhou no Instituto Oswaldo Cruz na cidade do Rio de Janeiro. O Departamento de Biologia Vegetal era chefiado pelo professor Luiz Fernando Gouveia Labouriau, um nome de expressão na Fisiologia Vegetal do país e que passou um pequeno período na administração superior da UnB ocupando o cargo de decano de Pesquisa e Pós-graduação.

Um número considerável de professores foi atraído para o IB, cujo diretor era o professor Wlademir Lobato Paraense. Nessa época, o carro-chefe do IB era o Departamento de Biologia Celular, que criou o primeiro curso de pós-graduação na área de Ciências Biológicas da UnB: o curso de Mestrado em Biologia Molecular. Vários laboratorios foram formados e consolidados neste Departamento:

• Laboratório de Microscopia Eletrônica, que já contava com a participação da professora Maria Artemisia Arraes Hermans (aposentada e exercendo atualmente a profissão de advogada), recebeu o professor Elliot Wanatabe Kitajima (aposentado, trabalhando atualmente na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - USP), oriundo do Instituto Agronômico de Campinas. Esse laboratório constituiu-se, ao longo dos anos, um dos laboratórios mais produtivos da UnB, tendo alcançado prestígio nacional e internacional no campo da virologia vegetal, além de relacionar-se com outros grupos de pesquisa da UnB e de outras Instituições.

• Laboratório de Microbiologia e Imunologia, mais tarde transformado em Laboratório de Microbiogia, agregou um grupo de professores já existentes - Hugo do Carmo Mundim (aposentado e atuando em laboratório de análises clínicas), Maria Hermelinda Mundim (falecida), Vilneyde M. Q. Gonçalves de Lima (aposentada) - com professores vindos do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - Isaac Roitman (aposentado, que trabalhou por um ano como diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense,  e posteriormente trabalhou na Universidade de Mogi das Cruzes), Celina Roitman (que da UnB foi trabalhar no CNPq, onde se aposentou, e trabalhou até o final de 1997 na Fundação Oswaldo Cruz), Armando da Costa Manaia (que da UnB foi para a Unicamp, transferindo-se posteriormente para a Universidade Federal de Sao Carlos), Nelson Alvarenga (trabalha atualmente no Centro de Pesquisas René Rachou, da Fiocruz) e Hélio Peixoto de Azevedo (aposentado). Mais tarde incorporou-se ao laboratorio o professor Milton Thiago de Melo (aposentado), que posteriormente organizou um Centro de Primatologia na UnB e foi decano de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade. Este laboratorio, em sua fase inicial, concentrou-se na área de fisiologia de microorganismos, especialmente de tripanossomatídeos, tendo sido considerado laboratório de referência nacional e internacional no campo de tripanossomatídeos de insetos.

• Laboratório de Biofísica, liderado polo professor Manuel Mateus Ventura (aposentado, mas mantendo sua atividade intelectual - é autor de artigo da revista Humanidades), por muitos anos efetuou estudos físico-químicos, principalmente relacionados a interação proteína-proteína. Neste laboratório, nessa época, trabalharam os seguintes professores: Lauro Mohry (que se transferiu posteriormente para o Laboratório de Bioquímica, onde montou um grupo de estudo de química de proteínas, sendo o atual reitor da UnB), Hiroaki Ikemoto (aposentado, trabalhando atualmente na Universidade do Tocantins), Kumiko Mizuta (aposentada, trabalhando atualmente no CNPq), Jefferson Aragão (aposentado), Celina Martins (aposentada).

• Laboratório de Enzimologia, liderado pelo professor Ruy de Araújo Caldas (aposentado que ocupouo cargo de diretor do CNPq, após ter trabalhado por um pequeno período na Universidade Federal de Goiás, e hoje está vinculado a Universidade Católica de Brasilia). Neste laboratorio trabalhou também a professora Linda Caldas (falecida), que posteriormente se transferiu para o Departamento de Biologia Vegetal para montar um laboratório de cultura de tecidos. Este laboratório fez interação com vários grupos da área de biologia da Universidade.

• Laboratório de Bioquímica e Biologia Molecular, com a liderança do professor Carlos Médicis Morel (que deixou a UnB, transferindo-se para o Instituto Oswaldo Cruz, onde foi seu diretor e posteriormente presidente da Fundação Oswaldo Cruz, e hoje é o representante do Brasil na Organização Mundial da Saúde e diretor do Tropical Disease Research Program). Este laboratório contou também com a participação do professor Eugen S. Gander (nascido na Suíça, com formação pós-graduada na França e que antes de vir a UnB cumpria um programa de pós-doutorado nos Estados Unidos. Atualmente trabalha no Centro de Recursos Genéticos da Embrapa, chefiando o Laboratorio de Biologia Molecular). O laboratorio contou também com a participação do professor Waldenor Barbosa da Cruz, que ainda trabalha na UnB, na área de biologia teórica. Na década de 1970, este laboratório foi considerado como um dos grupos pioneiros na área de biologia molecular no país, tendo realizado inicialmente trabalhos com células sangüíneas de patos e posteriormente introduzido a linha de trabalho de biologia molecular de tripanossomatídeos no país.

O conjunto desses laboratórios iniciou o curso de Pós-Graduação em Biologia Molecular, curso pioneiro na área no Brasil. Esse curso deu notoriedade a biologia da UnB e atraiu, nos seus primeiros anos, alunos de diferentes partes do país. Um número expressivo de egressos desse curso representa um segmento importante na biologia molecular brasileira. Entre seus egressos podemos destacar: Samuel Goldenberg - após ter obtido o mestrado na UnB, doutorou-se na Universidade de Paris e atualmente lidera um importante grupo de biologia molecular no Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular do Instituto Oswaldo Cruz, estudando principalmente os aspectos moleculares da diferenciação em Trypanosoma cruzi; Luiz Shozzo Ozaki - após ter obtido o mestrado na UnB, doutorou-se no Japão, trabalhou na França, nos Estados Unidos, na USP e na UFRGS. Atualmente, trabalha em uma empresa de biotecnologia nos Estados Unidos; Cezar Martins de Sá (falecido) - após ter concluído o mestrado na UnB, doutorou-se na Universidade de Paris e trabalhou  no Laboratório de Microbiologia do Departamento de Biologia Celular até o início de 2010; Spartaco Astolfi Filho - após ter completado o mestrado, doutorou-se na UFRJ, chefiou por vários anos o Laboratório de Biologia Molecular e atualmente lidera um grupo de biologia molecular na Universidade Federal do Amazonas; Elza Fernandes de Araújo - após ter concluído o mestrado na UnB, doutorou-se pela UFRGS e atualmente é docente da Universidade Federal de Viçosa; Cyrano Ulhoa - após ter concluído o mestrado, obteve o doutorado na Inglaterra e atualmente é professor titular da UFG.

Posteriormente, vários egressos do curso de pós-graduação em biologia molecular foram absorvidos no quadro docente da UnB, entre eles: Sueli Soares Felipe, Maristella de Oliveira Azevedo, Carlos Roberto Felix, Beatriz Dolabella de Lima, Elizabeth Maria Talá de Souza, Egle Machado de Almeida Siqueira, Ildinete Silva Pereira, Carlos André Ornelas Ricart, Consuelo Medeiros R. do Lima, Marcelo Valle de Souza, Pedro Jose Portugal Zanotta, Edivaldo Ximenes Ferreira Filho, Jaime Martins de Souza, Carlos Bloch e Cynthia Maria Kyaw.

Nessa época, os outros departamentos (Biologia Animal e Biologia Vegetal) também criaram e consolidaram vários laboratórios. No Departamento de Biologia Animal destacavam-se três laboratórios.

• Laboratório de Neurobiologia, com a tríplice liderança de Heloísa Magalhães de Castro (falecida), Paulo Saraiva do Espírito Santo (falecido) e Bráulio Magalhães de Castro (aposentado, exercendo com sucesso atividades na agropecuária). Este laboratorio tinha liderança nacional e foi considerado referencia nacional nos estudos de mecanismos da visão.

• Laboratório de Genética, liderado pelo professor Henrique Krieger (que após ter deixado a UnB trabalhou na Universidade Federal do São Carlos e no Instituto Oswaldo Cruz). Atualmente, o professor Krieger trabalha no Departamento de Parasitologia da Universidade de São Paulo. Faziam parte do grupo os seguintes professores: Felizardo Penalva da Silva (aposentado, trabalhando atualmente no CNPq), Pedro Aceto Cabello (trabalhando no Institute Oswaldo Cruz), Calógeras Albergaria Barbosa (trabalhando na Universidade Federal de São Carlos) e Renato Santos Mello (aposentado e trabalhando atualmente na Universidade do Rio Grande). Este laboratório, na época, era um dos laboratórios de referência no país na área de genética de populações.

• Laboratório de Malacologia, liderado pelo professor Wlademir Lobato Paraense, que atualmente trabalha no Instituto Oswaldo Cruz. Faziam parte deste laboratório os seguintes professores: Lígia dos Reis Correia, Warton Monteiro (aposentado, trabalhando atualmente no Ministério do Meio Ambiente), Sudhir Narang (trabalhando nos Estados Unidos) e Anthony Shelly (trabalhando atualmente no Museu de História Natural de Londres). Este laboratório era considerado laboratório de referência de caramujos pela Organização Mundial da Saúde.

No Departamento de Biologia Vegetal, dois laboratórios destacavam-se: o Laboratório de Fisiologia Vegetal e o Laboratório de Fitopatologia.

• O laboratório de Fisiologia Vegetal era liderado pelo professor Luiz Fernando Gouveia Labouriau (falecido) e contava com a participação dos seguintes professores: Maria Lea Salgado-Labouriau (aposentada e atualmente trabalhando em paleoecologia no Instituto de Geociências da UnB) e Mércia Valadares (aposentada). A linha principal deste laboratório era na área do termobiologia, com a utilização de sementes de plantas como modelo experimental. Nessa época este laboratorio era considerado referência nacional na área.

• O laboratório de Fitopatologia inicialmente ocupou um espaço no Laboratório de Microbiologia e posteriormente foi transformado em Departamento de Fitopatologia. Na sua fase inicial contou com a participação dos seguintes professores: Armando Takatzu (aposentado e atualmente trabalhando na Universidade Federal de Uberlândia), José Carmine Dianése (aposentado e trabalhando como professor no Departamento de Fitopatologia da UnB), Cláudio Lúcio Costa (ainda colaborando no departamento), Francisco F. Cupertino (aposentado), Ming Lin Tien, Hassan Bolkan, C. S. Huang (os três últimos trabalhando atualmente nos Estados Unidos). Este grupo constituiu-se no alicerce para a criação do curso de Mestrado em Fitopatologia em 1976.

 

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