.: Instituto de Ciências Biológicas :.

O final da década de 1960: a sobrevivência

 

O Final da Década de 1960: a Sobreivência

 

A crise de 1965 provocou um grande vácuo, acompanhado de uma inevitável queda da qualidade acadêmica. Nem mesmo o prestígio de Zeferino Vaz, que foi substituído pelo professor Laerte Ramos, foi eficiente no sentido de limar uma m recuperação rápida do padrão acadêmico da universidade. Aos poucos, porém, a UnB começou a atrair algumas lideranças. O professor Oswaldo Gonçalves de Lima veio do Recife para coordenar o Instituto de Química. O professor Barrozo (vindo da USP) juntamente com os professores Luiz Carlos Lobo e José Roberto Ferreira estruturaram a Faculdade de Ciências da Saúde com ações inovadoras no ensino médico do país: ensino em blocos, laboratórios multidisciplinares, etc.

A direção do Instituto de Ciências Biológicas coube a um outro geneticista oriundo da USP (Piracicaba) Prof. Brugger. Aos poucos, a biologia era repovoada com a contratação de novos professores: Nelson Maravalhas (Bioquímica), Humberto de Oliveira (Bioquímica), Bechara (Bioquímica), Waldenor Barbosa da Cruz (Bioquímica), Carlos Morel (Biologia Molecular), Michele Dardenne, Tânia Dani,  Heleny Alves de Mira (Histologia), Pierre Dekeyzer (Zoologia), Adauto Milanês (Botânica), Terezinha Paviani (Botânica), Braulio de Magalhães Castro, Heloísa Magalhães Castro, Paulo E. S. Saraiva (Neurobiologia), Hugo do Carmo Mundin (Imunologia), Maria Hermelinda Mundim, Vilneyde M. Q. Gonçalves de Lima (Microbiologia), Maria Artemísia Arraes Hermans (Microscopia Eletrônica), Armando Takatsu (Fitopatologia), George Eiten (Botânica), Graziela Barroso de Amaral (Botânica), José Elias (Botânica).

Em 1968, ocorreu um fato que teve enorme significado para os destinos da Universidade nos vinte anos seguintes: em plena fase de conturbação estudantil, que no Brasil refletia a revolta dos estudantes em todo o mundo, a UnB foi outra vez invadida, desta feita pela Polícia Militar (o Exército ficou apenas observando o campus a distância), com estudantes e professores presos e alguns até feridos gravemente. O depoimento do professor Paulo E. S. Saraiva descreve com propriedade o clima então vivido:

 

Tivemos de interromper as aulas, logo cedo, ouvindo ao longe os disparos dos fuzis e as explosões de bombas de gás lacrimogêneo. Encaminhamo-nos para a sala da diretoria, com os braços para cima, com os policiais à nossa volta, tão ou mais amedrontados que nós, só que um pouco mais ignorantes. O campo de futebol de salão, que ainda hoje existe próximo aos prédios de multiuso, cercado de alambrado, virou campo de concentração, para onde foram encaminhados muitos alunos e mesmo alguns professores. O nosso querido Prof. Waldenor ficou preso num camburão, durante horas, enquanto o pau rolava em torno.

 

Mais uma vez, a UnB enfrentava uma crise. O reitor Laerte foi substituído pelo médico mineiro Caio Benjamin Dias, e a vice-reitoria foi assumida pelo professor José Carlos de Almeida Azevedo, que era vice-diretor do Instituto de Pesquisas da Marinha e que mais tarde se tornou reitor da UnB.

O reitor Caio Benjamin Dias conseguiu atrair para a Universidade um cientista de primeira grandeza: professor Wlademir Lobato Paraense, parasitologista mineiro que, por sua vez, atraiu os professores Luiz Gouveia Labouriau (então do Instituto de Botânica de São Paulo) e Manuel Mateus Ventura (então da Universidade Federal do Ceará). Esse trio iniciou o período de renascença da biologia na UnB.

 

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